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quinta-feira, 1 de maio de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
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AS CRUZADAS A tomada de Trípoli e a destruição da biblioteca máxima das crendices islâmicas
AS CRUZADAS
A tomada de Trípoli e a destruição da biblioteca máxima das crendices islâmicas
Posted: 29 Apr 2014 01:30 AM PDT
Porta da Ponte, Sébastien Mamerot, Les Passages d'Outremer, Fr 5594, BnF
O historiador Ibn abi Tayyî (1160 – 1235 aprox.), da seita xiita, deixou um escrito sobre o impacto da tomada de Trípoli pelos Cruzados, liderados pelo rei Balduíno e os heróis Tancredo e Saint-Gilles.
A cidade, e, sobretudo, a sua biblioteca, eram o grande polo dos erros e superstições islâmicos, aonde acorriam ulemás (doutores) e sufis (curandeiros-bruxos) para se aprofundarem em seus sofismas e nas artes mágicas.
"Havia em Trípoli – escreveu Ibn abi Tayyî – um palácio da Ciência que não havia igual em país algum pela sua riqueza, beleza ou valor.
"Meu pai me contou que um sheik de Trípoli disse ter estado com Frakhr al-Mulk b'Ammar em Shayzar e que ele desmaiou quando soube da queda Trípoli.
"Recuperando-se, chorava copiosamente. 'Nada me aflige tanto, dizia ele, quanto a perda do palácio da Ciência. Lá havia três milhões (sic) de livros, todos de teologia, ciência corânica, hadiths, de adabs e ainda outros cinquenta mil exemplares do Corão e vinte mil comentários sobre o Corão feito por Alá todo-poderoso'.
"Meu pai acrescentava que esse palácio da Ciência era uma das maravilhas do mundo.
"Os Banu'Ammâr haviam investido nele enormes riquezas; ali trabalhavam cento e oitenta copistas dia e noite. Os Banu'Ammâr tinham agentes em todos os países que compravam para eles livros seletos.
"Em verdade, naquele tempo Trípoli inteira era o palácio da Ciência. Os grandes espíritos de todos os países iam à cidade, todas as ciências eram cultivadas e protegidas pelos príncipes. Por isso, lá iam os adeptos da ciência corânica.
"Quando os francos entraram em Trípoli e a conquistaram, eles queimaram o palácio da Ciência porque um de seus padres malditos tendo visto esses livros ficou horrorizado.
"Ele julgou ter achado o Tesouro dos Alcorões. Ele estendeu uma mão para pegar um volume: era um Corão; estendeu a mão para outro lado e era ainda um Corão, em direção a um terceiro e era ainda a mesma coisa.
"De onde ele concluiu: 'não há senão exemplares do Corão dos muçulmanos nesta casa'. Quando ele disse isso os francos queimaram-na.
"Entretanto, conseguiu-se salvar alguns livros que foram levados a países muçulmanos.
"Eles destruíram todas as mesquitas e estiveram a ponto de massacrar todos os habitantes muçulmanos. (...)
"Quanto ao governador e algumas de suas tropas, eles se refugiaram no palácio do Emir, e se defenderam durante alguns dias. Depois pediram um armistício, obtiveram-no, foram expulsos da cidade, e foram para Damasco.
"Depois os francos reuniram os notáveis que depois de se confessarem ricos foram golpeados até que todos entregassem suas fortunas. Muitos morreram torturados.
"A cidade foi dividida em três partes, uma para os genoveses, outra para Balduíno, rei dos Francos em Jerusalém, e outra para Saint-Gilles, o maldito.
"A tomada de Trípoli e o acontecido à sua população consternaram todo o mundo islâmico.
Vento desvia frota egípcia (1105)
"Houve reuniões nas mesquitas em duelo pelos mortos. Todo o mundo ficou tomado de medo e persuadido da conveniência de migrar.
"Um grande número de muçulmanos partiu para o Iraque e para a Djéziré. Alá sabe melhor (...).
"Quando a frota egípcia chegou a Tiro oito dias depois, soube da queda de Trípoli por um golpe da sorte.
"Jamais partira do Egito frota semelhante. Ela levava reforços, víveres, dinheiro, para aprovisionar Trípoli pelo espaço de um ano.
"Quando o comandante da frota soube da queda de Trípoli repartiu as provisões e o dinheiro que tinha trazido entre Tiro, Saïda, Beirute e as outras praças fortes muçulmanas, e levou a frota de volta para o Egito.
"Fakir al-Mulk b.'Ammâr, senhor de Trípoli, durante a queda da cidade se reuniu com o emir Ibn Munqidh, que lhe oferecia hospitalidade. Ele foi até Djabala e se estabeleceu ali após trazer provisões e armas.
"Tancredo foi atacá-lo e lhe deu duros combates. O cadí Fakhr al-Mulk pediu socorro aos príncipes vizinhos, fazendo-lhes sentir a perfídia dos Francos, e que se eles ocupassem essa cidade, eles iriam à procura de outra, e que seu poder cresceria a ponto de poder conquistar toda a Síria e expulsar os muçulmanos.
"A carta era extensa, ela fez sangrar os corações e chorar os olhos, mas ninguém lhe respondeu. (...)".
(Fonte: "Orient et Occident au temps des Croisades" de Claude Gahen, "Collection historique" dirigée par Maurice Agulhon et Paul Lemerle, éditions Aubier Montaigne, Paris, 1992, rubrique Documents, pages 219 à 223 apud Internet Medieval Sourcebook).
[hagiografia] 30 de Abril - São Pio V, Papa e Confessor (+ Roma, 1572)
30 de Abril
São Pio V, Papa e Confessor
(+ Roma, 1572)
Nascido no norte da Itália, ingressou aos 14 anos na Ordem dominicana e fez uma brilhante carreira eclesiástica, como bispo, cardeal, inquisidor-mor e por fim Papa. Teve um pontificado breve, mas extremamente fecundo. Aplicou as decisões do Concílio de Trento, estabeleceu o texto oficial da Santa Missa e do Ofício Divino, foi responsável pela publicação do Catecismo Romano e ordenou o ensino da Teologia tomista nas universidades. Sua principal obra foi a convocação de uma Cruzada contra o perigo muçulmano. Conseguiu a duros esforços coordenar os interesses de potências católicas e levá-las à vitória de Lepanto, em 1571.
Leia sobre a Batalha de Lepanto em nosso site:
http://www.lepanto.com.br/historia/a-batalha-de-lepanto/
terça-feira, 29 de abril de 2014
Ciência confirma a Igreja Últimos achados astrofísicos afinam com narração bíblica da Criação
Ciência confirma a Igreja
Últimos achados astrofísicos afinam com narração bíblica da Criação
Posted: 28 Apr 2014 01:30 AM PDT
Clem Pryke, Jamie Bock, Chao-Lin Kuo e John Kovac em conferência de imprensa
no Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics in Cambridge, Massachussets
Anunciada nos EUA uma descoberta que é um marco para a astrofísica
Liderados pelo astrônomo John M. Kovac, pesquisadores do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, da Universidade de Minnesota, do California Institute of Technology, da Universidade de Stanford e do Jet Propulsion Laboratory da NASA anunciaram a descoberta da "primeira evidência direta" daquilo que os cientistas chamam de "inflação cósmica".
A expressão indica a teoria segundo a qual, no segundo imediato ao "Big Bang", o universo expandiu-se a uma velocidade inimaginável. O "Big Bang" (ou "grande explosão") é a teoria que prevalece na ciência a respeito da origem do mundo, embora com muitas variantes segundo os diversos postuladores.
O novo trabalho também forneceria a primeira demonstração da existência das ondas gravitacionais, ondulações do espaço-tempo, previstas por Albert Einstein, mas nunca detectadas.
Os pesquisadores trabalham no Observatório BICEP2 (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarisation), um radiotelescópio instalado no Polo Sul
South Pole Telescope, Amundsen-Scott South Pole Station
A descoberta "nos fornece uma janela sobre o universo em seu comecinho", explicou o físico teórico Lawrence Krauss, da Universidade Estadual de Arizona State University, que não está engajado no trabalho.
Para Krauss, os achados constituem o maior passo da astrofísica nos últimos 25 anos, pois constituiria um dos maiores avanços na compreensão da formação inicial do universo, comentou o "Times of Israel".
Os pesquisadores expuseram sua descoberta em conferência de imprensa no Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics de Cambridge, Massachusetts, informou "The Jerusalem Post".
"Este é o 'smoking gun' da inflação cósmica" – comentou Marc Kamionkowski, físico teórico da Universidade Johns Hopkins.
Para cientista não-católico a descoberta confirma a Criação
A descoberta, entretanto, não teve repercussão só na ciência.
O professor Nathan Aviezer, da Universidade Bar Ilan, de Israel, e autor do livro In the Beginning (No começo), explicou que a descoberta vem em apoio do primeiro versículo do Gênesis, escreveu o "The Jerusalem Post".
Segundo o Prof. Aviezer, a teoria do Big Bang defende que o universo no primeiro instante teve a aparência de uma enorme bola de luz, resultado da Grande Explosão (o Big Bang).
Segundo o Prof. Aviezer, esta teoria cientifica, acrescida das novas descobertas, se encaixa perfeitamente com o Gênesis, que ensina: "Deus disse: 'Faça-se a luz!' E a luz foi feita" (Gen 1:3).
Prof. Nathan Aviezer reage à descoberta:
isso é o que está no Gênesis
Por sua vez, o escritor e colaborador do "Jerusalem Post", Izzy Greenberg, comentou o fato incontroverso: "Quando nós perguntamos como é que o mundo foi criado, podemos concluir que houve um 'Big Bang' e, portanto, um 'Big Banger' [Deus], pois a ciência não pode dizer o que é que causou o início, por que aconteceu e quando aconteceu".
A Bíblia não é um livro científico, da mesma maneira que os livros científicos não são textos bíblicos ou dogmáticos. Misturar uma coisa com outra é um desserviço. Mas compreender as concordâncias entre um campo e outro é um fator de progresso.
Segundo o Prof. Joseph Silk, da Universidade da Califórnia e autor de recente livro sobre cosmologia moderna, "o Big Bang é a versão moderna da Criação do universo", escreveu "The Times of Israel".
No livro In the Beginning, o Prof. Aviezer cita até o Prêmio Nobel Paul Dirac, da Universidade de Cambridge: "Dirac diz muito claramente que a teoria do Big Bang implica em que 'é certo que o universo começou num momento definido por um ato de Criação', e Dirac é um grande ateu".
Agora não é preciso recorrer à Bíblia para defender a Criação por Deus, disse o Prof. Aviezer. "É um exemplo da divina ironia que levou os cientistas ateus como Dirac e todos os outros a considerarem a verdade do Pentateuco. No momento atual, nós podemos dizer que a Criação é um fato científico".
O Prof. Aviezer reconhece entrementes que não é finalidade da ciência provar empiricamente a existência de Deus, mas que ele quer apontar como as descobertas científicas concordam com o texto bíblico.
Teólogo medieval antecipou teoria cosmológica atual
Porém, os cientistas que gostam de chamar a Idade Média de "era da escuridão", de "noite medieval" e de outras denominações pouco elogiosas, levaram mais uma surpresa.
O físico Tom McLeish e seus colegas da Universidade de Durham, no Reino Unido, desenvolveram equações a partir do tratado De Luce – Sobre a Luz – escrito pelo teólogo medieval e bispo de Lincoln, D. Roberto Grosseteste (1168 - 1253).
Dom Roberto Grosseteste se antecipou às teorias astrofísicas modernas sobre a origem do Universo
E chegaram à conclusão de que a teoria do Big Bang, uma das principais teorias cosmológicas da atualidade, foi elaborada primevamente por esse mestre medieval. E mais, ela está inspirando os cientistas atuais a melhorarem suas próprias teorias.
A publicação especializada "The New Scientist" dedicou artigos ao mestre medieval, entre os quais "Medieval multiverse heralded modern cosmic conundrums" , vertido ao português por "Inovação Tecnológica".
O primeiro a retomar a teoria da expansão do universo no século XX foi o sacerdote, físico e astrônomo belga Mons. Georges Lemaître, (1894–1966) professor de Física na Universidade católica de Louvain.
Quando os físicos da Universidade de Durham traduziram do latim o tratado do grande bispo de Lincoln do século XIII, e transformaram suas afirmações em equações matemáticas, descobriram que o teólogo previu a avançada ideia dos multiversos em 1225.
"Nós tentamos traduzir matematicamente o que ele disse em palavras em latim," disse McLeish. "Então você tem um conjunto de equações que podem ser inseridas no computador e resolvidas. Estamos explorando matematicamente um novo tipo de universo, que é o que os teóricos das cordas fazem o tempo todo. Apenas estamos sendo teóricos das cordas medievais."
D. Roberto foi apelidado de Grosseteste pela sua extraordinária capacidade intelectual (Grosse = grande + teste = cabeça). Foi doutor da Escolástica – a mesma escola de Santo Tomás de Aquino e dos grandes mestres medievais – e fundador da escola Franciscana de Oxford.
Ele estudou as obras de Aristóteles, que explicam o movimento das estrelas incorporando a Terra numa série de nove esferas celestes concêntricas.
As coincidências das conclusões de D. Roberto Grosseteste com a teoria cosmológica contemporânea são estarrecedoras, escreveu "The New Scientist".
"Imagem do universo", Gautier de Metz, ano 1246
No tratado Sobre a Luz, Grosseteste propôs que o universo concêntrico começou com um flash de luz emitido a partir de um ponto minúsculo, formando uma grande esfera. Isto é o que os cientistas hoje estão tentando demostrar empiricamente.
E as similaridades continuam: Grosseteste propõe que a luz e a matéria são intimamente relacionadas – essencialmente acopladas.
Quando o pulso inicial de luz-matéria em expansão alcançou uma densidade mínima, o universo entrou no que ele chamou de um estado perfeito e parou de se expandir. Esta esfera perfeita emitiu então uma forma diferente de luz que ele chamou de lumen, a qual se propagou para dentro varrendo a matéria "imperfeita", comprimindo-a como um floco de algodão.
A região menos densa de luz-matéria que restou pode então chegar ao seu estado perfeito e cristalizar-se em uma nova esfera embutida na primeira, que emitiria então seu próprio lumen. Este processo se repetiu até que restou apenas um núcleo de matéria imperfeita, que por sua vez deu origem à Terra.
O reconhecimento da grandiosidade da ideias do autor medieval pode ser uma forma de reatar os laços dos cientistas acadêmicos modernos com seus mestres, escreveu "Inovação Tecnológica".
Traduzindo em números, a equipe de McLeish descobriu que o modelo resultante produz exatamente o tipo de universo que Grosseteste estava descrevendo: esferas concêntricas que se propagam para dentro.
Ainda há muito a se descobrir, corrigir e acrescentar. Porém, uma coisa parece certa: quanto mais a ciência se aprofunda, mais se aproxima de seus limites, após os quais aparece o Criador em todo seu poder e magnificência.
A Medieval Multiverse: Mathematical Modelling of the 13th Century Universe of Robert Grosseteste, Richard G. Bower, Tom C. B. McLeish, Brian K. Tanner, Hannah E. Smithson, Cecilia Panti, Neil Lewis, Proceedings of the Royal Society A, Vol.: 507, 161-163. DOI: 10.1038/507161a.
History: A medieval multiverse ; Tom C. B. McLeish, Richard G. Bower, Brian K. Tanner, Hannah E. Smithson, Cecilia Panti, Neil Lewis, Giles E. M. Gasper, Nature Vol.: 507, 161-163. DOI: 10.1038/507161a
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[hagiografia] 29 de Abril - Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja (+ Itália, 1380)
29 de Abril
Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja
(+ Itália, 1380)
Para ler a história completa:
http://www.lepanto.com.br/catolicismo/vida-de-santos/santa-catarina-de-siena/
Era leiga, pertencia à Ordem Terceira de São Domingos, recebeu graças místicas extraordinárias e formou numerosos discípulos. É considerada a maior glória da espiritualidade dominicana. Embora mística e contemplativa, exerceu influência enorme na vida política e social de seu tempo, tendo trabalhado para o retorno do Papado de Avinhão para Roma. Deixou numerosos escritos e faleceu com apenas 33 anos.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
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O milagre de Tolbiac e a conversão da França
Posted: 27 Apr 2014 01:30 AM PDT
A battalha de Tolbiac Vitral da catedral de Laon
No ano 496, Clóvis I, rei dos Francos, devia enfrentar uma confederação de tribos dos alamanos dirigidos não se sabe ao certo por quem.
Antes mesmo da guerra, Clóvis foi visitar o túmulo de São Martinho de Tours, onde fez a promessa de que se faria católico se ganhasse a guerra.
O local da batalha é conhecido como "Tolbiac", ou "Tulpiacum", nome que se refere mais provavelmente a Zülpich, na Renânia do Norte – Vestefália, Alemanha.
Pouco se sabe do desenvolvimento da batalha, salvo que Clóvis viu seus guerreiros caírem um depois do outro e a derrota cada vez mais próxima.
No momento da degringolada geral, em prantos e com o remorso no coração, o rei bradou ao Deus de sua mulher, Santa Clotilde.
São Gregório, Bispo de Tours (538 – 594) e o maior historiador daquela época, registrou da seguinte forma a oração de Clóvis no capítulo II, 30-31, de sua História dos Francos:
"Ó Jesus Cristo, Vós que Clotilde me disse serdes filho do Deus Vivo, Vós que enviais vosso auxílio àqueles que estão em perigo, e concedeis a vitória aos que confiam em Vós, eu procuro a glorificação de vossa devoção com vossa assistência: se Vós me concederdes a vitória sobre estes inimigos, e se eu experimentar os milagres que o povo que cultua vosso nome diz ter acontecido, Eu crerei em Vós, e eu serei batizado em vosso nome.
Clóvis no desespero invoca o Deus de Santa Clotilde
Paul-Joseph Blanc (1846-1904), Panteon, Paris
"Mais ainda, eu invoquei meus deuses, e estou vendo que eles falharam na hora de me ajudar, fato que me faz acreditar que eles não têm poderes, que eles não vêm em ajuda daqueles que os servem. É a Vós que brado novamente, eu quero acreditar em Vós, mas só se eu for salvo de meus adversários."
Tendo dito estas palavras, os alamanos começaram a fugir. E quando viram seu chefe cair morto, submeteram-se a Clóvis, dizendo:
"Não permitais que o povo siga morrendo, nos vos rogamos; nós agora somos vossos". Clóvis mandou parar o combate e exortou os derrotados a se retirarem em paz e disse à rainha que ele teve o mérito de obter a vitória invocando o nome de Cristo. Isto aconteceu no ano décimo quinto de seu reinado".
São Gregório de Tours foi o primeiro a descrever esta batalha, fazendo um paralelismo direto com a conversão do imperador romano Constantino, o Grande, antes da batalha de Ponte Mílvia (312).
O santo historiador acrescenta que a rainha consultou São Remígio, Bispo de Reims, para ir ver Clóvis secretamente e apressá-lo a entrar no reino da salvação. E o bispo foi secretamente e começou a instá-lo a acreditar no Deus verdadeiro, criador do Céu e da Terra, e a deixar de adorar ídolos incapazes de se ajudarem a eles próprios, e tanto menos aos outros.
O batismo de Clóvis, por São Remígio, Reims, França
Porém, o rei respondeu: "Eu vos ouço comprazido, santíssimo padre; mas fica uma coisa: o povo que me segue não consegue abandonar seus deuses; mas eu irei até eles e falarei, transmitindo vossas palavras".
Clóvis reuniu-se com seus seguidores, porém antes que ele conseguisse falar, o poder de Deus se antecipou e todo o povo bradava conjuntamente: "Ó piedoso rei, nós rejeitamos nossos deuses mortais, e nós estamos prontos a seguir o Deus imortal que prega Remígio".
Isto foi relatado ao bispo, que ficou grandemente regozijado e mandou preparar a pia batismal. As praças ficaram recobertas com toldos feitos de tapeçarias, as igrejas foram adornadas com cortinas brancas, o batistério foi ordenadamente arranjado, o aroma do incenso se espraiava, as velas odoríferas ardiam brilhantemente, e todo o prédio do batistério ficou cheio de uma fragrância divina; e o Senhor concedeu uma tal graça aos que ali estavam, que eles começaram a achar que se encontravam em meio aos perfumes do paraíso. E o rei foi o primeiro a pedir para ser batizado pelo bispo. Foi assim que um novo Constantino se aproximou da pia batismal".
Santa Clotilde
Clóvis – ou Chlodovechus em latim – foi o primeiro rei dos Francos, pois conseguiu a obediência de todas as tribos francas.
Fundador da dinastia merovíngia, que reinou durante duas décadas, ele inaugurou a história da França na pia batismal.
Quando jovem, Clóvis chegou a ser comandante da província militar romana Belgica Secunda.
Porém, ele se voltou contra os chefes romanos, e na batalha de Soissons (486) pôs fim ao domínio do Império Romano fora da Itália.
Posteriormente derrotou os turíngios, aliou-se aos ostrogodos, e após vencer os alamanos, instalou sua capital em Paris, onde fundou a abadia dedicada aos Santos Pedro e Paulo, no Quartier Latin.
Guerreou depois contra o reino dos borguinhões, derrotou os visigodos, expulsando-os para sempre da Gália, e conquistou a Aquitânia.
Ele codificou a lei sálica franca incluindo grandes partes do Direito Romano, pelo que o código ficou conhecido como "Código Romano".
Clóvis e sua mulher Santa Clotilde foram enterrados na Abadia de Santa Genoveva, em Paris.
Posteriormente os restos dos dois foram transferidos para a Abadia de Saint-Denis, túmulo dos reis da França, onde hoje repousam.
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